Sacolas Plásticas e a China - uma reflexão de Vana Freitas (fellow)

Estive na China no mês passado e tive a oportunidade de observar o boom do crescimento econômico desse país, no entanto essa transformação é chocante, pois se trata de 1,3 bilhão de pessoas, ou seja, 20% da humanidade. A rapidez com que essas pessoas mudam estilos de vida e aumentam o consumo é assustador. Se os chineses estiverem no rumo de realizar o sonho americano do consumo, que foi a percepção que eu tive, é realmente muito preocupante.

Mais consumo significa mais lixo e a conta é clara, mais conseqüências negativas para o meio ambiente, ou não dependendo das inúmeras alternativas para tratamento e aproveitamento do lixo. Segundo o World Watch Institute, estima-se que a China produz a cada ano 150 milhões de toneladas de lixo, o equivalente a 15% do total mundial. A previsão do Governo de Pequim é que o volume do lixo urbano chegue a 400 milhões de toneladas em 2020, o equivalente a tudo que foi produzido em 1997.

A maior parte do lixo na China não é reciclada e termina em aterros sanitários ou em lixões espalhados pelo País. Cerca de 7 bilhões de toneladas de lixo se acumulam sem receber tratamento adequado. Segundo estatísticas oficiais, 70% do lixo está em aterros sanitários, enquanto 20% são queimados e usados como adubo, e apenas 10% são reciclados.

O lixo produzido nas atividades cotidianas dos chineses é enorme. Só em sacolas plásticas são 3 bilhões por dia, a maioria das quais descartadas de maneira inadequada provoca severos impactos ambientais. O uso de sacolas de plástico começou a ser coibido em julho de 2008, quando entrou em vigor a lei que obriga todos os estabelecimentos comerciais a cobrarem pelo produto, para estimular o uso de sacolas de pano, reutilizáveis. Antes de a medida começar a valer, vários supermercados de Pequim começaram campanhas de conscientização de seus clientes que incluíam a venda ou a doação de novas sacolas.

Em alguns supermercados e centros de compras, notei que apesar da proibição, a lei não é tão espartana assim, estes acabam fornecendo uma ou outra sacolinha. No entanto, a lei funciona razoavelmente bem, pois boa parte da população leva suas sacolinhas de pano para as compras. Nos supermercados, as poucas sacolas distribuídas suportam até 8 kg, e mais, a senhorinha do caixa do supermercado enche a sacolinha até o tampo. Nota 10 para a Senhorinha do supermercado. Já em outros lugares turísticos, como a principal loja de souvenir da cidade proibida, a cobrança pelas sacolas, alguns cents de yuans, e todo mundo paga sem reclamar. Sei que o valor é irrisório, mas considero muito importante, principalmente por ser um ponto turístico, a redução do uso desse material deve ser global.

Em Pequim, também não existe a discussão da alternativa de sacolas oxi-biodegradável ou de sacolas biodegradáveis. Foi proibido e pronto! Não existe alternativa ou acaba o consumo de saco plástico ou acelera a bomba relógio do descarte de lixo na China.

Fonte: Country Faces - Great Wall of Waste, em China Daily, 9 de janeiro 2007.

Os Chineses, Claudia Trevisan, 2007.

18 de Fevereiro, 2010
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