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Um apanhado sobre a VI Expo Brasil Desenvolvimento Local

A ABDL esteve presente na Expo Brasil Desenvolvimento Local 2007, com o mini-curso 'Governança Participativa e Articulação em Redes para o Desenvolvimento'. O evento, em sua sexta edição, reuniu em Natal, entre 03 e 05 de dezembro, mais de duas mil pessoas, entre especialistas em desenvolvimento local, gestores de políticas públicas e agentes locais de várias partes do país, além de convidados internacionais, que debaterão os avanços, retrocessos e novos desafios do desenvolvimento local no país e no exterior.

Leia a cobertura do evento no sítio: www.expobrasil.org.br

Abaixo, um relato da experiência da equipe ABDL na Expo Brasil Desenvolvimento Local:

Um apanhado sobre a VI Expo Brasil Desenvolvimento Local
Clarissa Magalhães e Cristiano Lafetá

Os participantes da sexta edição da Expo Brasil levaram para casa muitas coisas boas. Mas a principal delas, a nosso ver, é a possibilidade de aprender com experiências exitosas.

É claro que podemos aprender com aquilo que não devemos fazer, com o erro, o insucesso. É uma aprendizagem importante saber rever, re-planejar, evitar elementos que detectamos não levarem a bons caminhos na execução de projetos e programas.

Mas aprender com o devemos fazer, com o que dá certo, que já foi tentado, ajustado, remodelado, é um grande passo. Então, se temos essa possibilidade, é de grande valor.

Na Expo Brasil 2007 pudemos observar e aprender com muitas diferentes experiências. Entre elas, os trabalhos do IBASE junto a comunidades; a visão oficial do MDA sobre comunidades tradicionais; os instrumentos de garantia de inclusão dos agricultores familiares no plano nacional de produção de biodiesel; as iniciativas voltadas ao desenvolvimento territorial da região do Seridó potiguar; as análises sobre o histórico do desenvolvimento local no Brasil.

Além disso, havia a feira de exposições, com muita coisa interessante para o consumo responsável e solidário, como a moda têxtil feita com o algodão naturalmente tingido desenvolvido pela EMBRAPA, bichos brasileiros feitos em látex, cestarias, alimentos de produção orgânica...

A presença de fellows da Comunidade ABDL e organizações parceiras da instituição, como nas edições anteriores, foi bastante forte. Além da RITS, realizadora do evento, e importante parceira da ABDL, e do já citado IBASE, organização à qual se dedica a fellow das turmas 3 e 11 do LEAD, Nahyda Franco, a Expo Brasil contou, ainda, com a presença de Bertrand Brito (Pronord II/Sebrae), Pedro Ivo (Prolides T1/MMA) e Carlos Antônio (LEAD T11/RITS), e do Instituto Xingó, integrante do Grupo Caminhos do Desenvolvimento (Pronord 2004).

A ABDL levou à Expo Brasil o mini-curso Governança participativa e articulação em rede para o desenvolvimento. A partir de uma série de dilemas relativos às redes, trabalhados na primeira edição do Programa Redesenvolvimento [1], focamos o dilema “participação X coordenação”. A partir da escada da participação, da médica americana Sherry Arnstein [2], provocamos o público a uma reflexão sobre o grau de participação que encontram hoje em redes que atuam e o grau de participação que seria interessante ser atingido dentro delas. O principal propósito do curso, muito mais do que ensinar como atuar em rede ou como participar de maneira mais efetiva de processos em rede, tampouco o de dar receitas prontas, foi o de provocar a reflexão. Por isso optamos por utilizar elementos metodológicos sintéticos como os dilemas e os desafios das redes e a escada da participação.

A receptividade do público quanto à nossa proposta foi grande e durante a rodada final de avaliação livre, pudemos verificar através dos depoimentos que conseguimos provocar reflexões interessantes. Havia gente de redes do SEBRAE, de cooperativas diversas, de redes de ensino, desenvolvimento local, entre outras. E as reflexões sobre o nível de participação que há e o que é possível haver fizeram as pessoas quererem dar seus depoimentos e ouvir os outros. Quem participou saiu de lá instigado a repensar esse dilema em suas redes.

Alem do evento, pudemos visitar um pouco a cidade de Natal. Nos chamou atenção a beleza natural da cidade, reparamos que o Morro do Careca (um de seus principais cartões postais) continua lá. Mas pudemos presenciar cenas tristes de procura aberta pela prostituição infantil por parte de grupos de estrangeiros, em especial europeus. No calçadão da beira-mar garotas muito jovens, em bandos, a espera de fregueses e homens feitos, em bandos, interagindo com elas, sem a menor preocupação ou constrangimento.

Durante um encontro com a fellow Jolúzia Batista e sua colega no Coletivo Coletivo Leila Diniz, Cláudia, soubemos das últimas ações dos movimentos socioambientais locais. O Morro do Careca, que tanto nos alegrou ainda permanecer lá na ponta da Ponta Negra, quase sucumbiu ao mercado da construção civil, que ainda quer crescer a altos custos socioambientais, sem se adequar à lei e ao bom senso. Houve um grande escândalo na Câmara ao ser descoberto um esquema de compra de deputados para o favorecimento deste setor e a sociedade civil, após uma lavagem das escadarias da Câmara e de dois abraços ao Morro, conseguiu que o prefeito embargasse a obra. Mais um round ganho!

Foi assim a visita da equipe da ABDL à linda Natal para a sexta edição da Expo Brasil. De lá trazemos o bom sentimento de poder saber sobre coisas que dão certo, além de verificarmos que os movimentos socioambientais estão na ativa e fazendo diferença para o destino de nossa nação. Deixamos nossa pequena contribuição àqueles e àquelas que fomentam seu lado inquieto de busca constante. E parabenizamos às organizações e pessoas à frente do evento anual, que garante o encontro de cerca de 2 mil pessoas em torno do tema desenvolvimento local, divulgando, debatendo, expondo e trocando informações e experiências.

[1] FALCONER, Andres e ADULIS, Dalberto. Redesenvolvimento: formação e fortalecimento de redes para o desenvolvimento. Artigo originalmente escrito em inglês e publicado pelo KM4D Journal, in: http://www.km4dev.org/journal/index.php/km4dj/article/viewFile/67/117. Versão traduzida ao português por Cristiano Lafetá encontra-se em http://www.abdl.org.br/filemanager/fileview/571/

[2]ARNSTEIN, Sherry R. Uma escala da participação cidadã. Revista da Associação Brasileira para o Fortalecimento da Participação – PARTICIPE, Porto Alegre/Santa Cruz do Sul, v.2, n.2, pp. 4-13, jan. 2002.

18 de Dezembro, 2007
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