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Abong debate primeiro ano de Lula
A ABDL esteve presente no fórum promovido pela Abong, no dia 8 de dezembro, ocasião em que foi debatido o primeiro ano do Governo Lula. Participaram como palestrantes: a professora da Escola de Educação da USP, a cientista social Maria Vitória Benevides e o coordenador do “Grito dos Excluídos nas Américas”, o filósofo Luiz Bassegio. A coordenação da mesa ficou por conta do diretor da Abong, Jorge Eduardo Durão.
Maria Vitória Benevides
Maria Vitória Benevides disse, ao iniciar sua palestra, que não se sentiria confortável em analisar o desempenho do atual governo para os grandes veículos de comunicação. Ela é filiada ao PT e participa do governo como membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e do Conselho de Ética Executivo. A professora confia, até certo ponto, que as suas expectativas serão realizadas pelo governo, porém, tem duras críticas a este primeiro ano. Ela diz estar perplexa com os rumos da política econômica e afirma ser exatamente essa a questão que “lança mais desafios à nossa percepção. A questão econômica é política e não técnica; é fruto de uma determinada opção de gestão”.
Ainda assim, a cientista social cita vários pontos positivos deste primeiro ano de governo. O primeiro destes diz respeito mais à eleição que ao governo propriamente dito. “A nossa surpresa em ver uma mudança, pelo menos no plano simbólico da política, de eleger, neste país de oligarcas, um candidato com as características do Lula”, foi o primeiro ponto positivo citado. O segundo é a política externa que, ela afirma, tem efeitos em diversas áreas, entre as quais na auto-estima do brasileiro. Um terceiro destaque foi o que chamou de novo papel do Ministério da Justiça. O “Plano Nacional de Segurança Pública” e os gabinetes de gestão integrada, entre outros, foram alguns dos exemplos dados pela professora para justificar esse novo papel do Ministério.
Quanto à questão partidária, Maria Vitória Benevides disse que, positivamente, a cooptação dos partidos para a base aliada – como no caso do PMDB – tem sido feita de forma transparente. Negativamente, o balcão do “toma lá, dá cá” em votações importantes, continua como sempre, contrariando as esperanças de que tal prática pudesse acabar num governo no PT.
Outra questão citada como contendo lados positivo e negativo foi a relativa aos ministérios. A criação de órgãos exclusivos para demandas específicas, como a dos negros e das mulheres, é tida pela professora como algo muito bom. Já a presença de técnicos e funcionários de primeiro, segundo e terceiro escalões vindos do governo anterior em ministérios importantes (leia-se Fazenda) a incomoda.
Luiz Bassegio
O coordenador do Grito do Excluídos nas Américas, Luiz Bassegio acredita na tese de que o Governo Lula seja um governo em disputa. Por isso, tem a esperança de que seja possível levar essa gestão para o rumo que se esperava de um governo do PT. Sua expectativa é que a sociedade civil organizada possa usar de sua capacidade de pressão para forçar tal guinada. Porém, o palestrante se pergunta: “será possível essa guinada? E, mais, o que querem dizer os elogios dados pelo FMI e Banco Mundial?”.
Luiz Bassegio fez críticas severas em vários pontos, além do econômico. Afirma que o Plano de Reforma Agrária é tímido, que foram gastos quase três vezes mais com o pagamento de dívidas do que no total aplicado em quatorze grandes áreas, entre elas a educação e a saúde, etc.
Bassegio afirma, ainda, que há uma pressão dos movimentos populares para que seja feito um plebiscito oficial sobre a ALCA. Sugere ainda que a sociedade coloque “o bloco na rua” para fazer a pressão necessária. E diz que só o povo nas ruas será capaz de abrir os olhos do presidente que, em essência, é bem intencionado, mas está sendo ludibriado. Como exemplo da ilusão em que se encontra o Executivo Nacional, Bassegio cita a liberação dos transgênicos.
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